Maria Helena Sleutjes

 

Diário
27/01/2010 11h03
DOIS EM UM - Mário Roberto Guimarães
Eu sei que tu me amas e desejas,
Que compartilhas desse sentimento
Intenso, que em mim cresce qual portento,
Essa paixão infinda que me ensejas...

Que do meus versos, lidos em tom lento,
Emana ígnea aura, sem que vejas
Se sou eu ou se és tu que versejas,
Posto que, de ti mesma, não me ausento...

Por sermos almas gêmeas, dois em um,
Não pode haver qualquer, que nos aparte,
Motivo ou circunstância, nesse mundo...

Não fica um sem o outro um só segundo,
Inda que da distância a rude arte
Nos seja eterno algoz, como nenhum.

Publicado por Maria Helena Sleutjes em 27/01/2010 às 11h03
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22/12/2009 08h55
ELEGIAS - Ynah Théres
 III

Deixarei que descrevas um percurso
além do que sonho
menos que a vida
e que fiques em mim
abrigo ponte e absinto
- dor primeira-
e que recolhas a fome
antiga,
e que faças dormir
a estrela,
e que saibas apenas
o meu nome de outrora.



Publicado por Maria Helena Sleutjes em 22/12/2009 às 08h55
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11/12/2009 21h36
IL FAUT SAVOIR - Charles Aznavour

 

Il faut savoir encore sourire
Quand le meilleur s'est retiré
Et qu'il ne reste que le pire
Dans une vie bête à pleurer

Il faut savoir, coûte que coûte,
Garder toute sa dignité
Et, malgré ce qu'il nous en coûte,
S'en aller sans se retourner

Face au destin, qui nous désarme,
Et devant le bonher perdu,
Il faut savoir cacher ses larmes
Mais moi, mon coeur,je n'ai pas su

Il faut savoir quitter la table
Lorsque l'amour est desservi
Sans s'accrocher, l'air pitoyable,
Mais partir sans faire de bruit

Il faut savoir cacher sa peine
Sous le masque de tous les jours
Et retenir les cris de haine
Qui sont les derniers mots d'amour

Il faut savoir rester de glace
Et taire un coeur qui meurt déja
Il faut savoir garder la face
Mais moi je t'aime trop
Mais moi je ne peux pas
Il faut savoir
Mais moi je ne sais pas

 

Publicado por Maria Helena Sleutjes em 11/12/2009 às 21h36
 
13/11/2009 18h27
EPÍLOGO (Mário Quintana)

Não, o melhor é não falares, não explicares coisa alguma.
Tudo agora está suspenso.
Nada aguenta mais nada.
E sabe Deus o que desencadeia as catástrofes,
o que é que derruba um castelo de cartas!
Não se sabe...
Umas vezes passa uma avalanche
e não morre uma mosca...
Outras vezes senta uma mosca
e desaba uma cidade.

Publicado por Maria Helena Sleutjes em 13/11/2009 às 18h27
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01/11/2009 09h30
ILHA - Glória Barroso
Como me perceber se o que te digo
é muito menos daquilo que não digo
se o que te entrego
é muito menos que o escondido
se as personas te confundem tanto quanto a mim.
Se o que te escrevo são respiros e sussuros
os urros costumam ser ininteligíveis.
São brilhos súbitos e rápidos na água
soiszinhos brincantes
ou poço
fundo
Como me entender se palavras são signos estranhos?
Que paisagens trazidas nos meus olhos
serão descanso ou tempestade,
se eu mesma não sei o que eles guardam
de ilhas  mares  traições   e  desencantos?
Não me canso de tentar, amor
mas tarde já se faz e desencontros.
Se juntamos olhares   mãos   gestos  e poema
pernas e braços
imagens refratadas,
caleidoscópio mago e leviano,
ainda assim o indizível ronda irônico
na certeza cruel da distância nunca ultrapassada.




Publicado por Maria Helena Sleutjes em 01/11/2009 às 09h30
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